E assim caminha a mediocridade…

Após algumas semanas, volto a esta tribuna para falar sobre as demissões, que nunca saem de moda no futebol brasileiro. Só nessa semana já tivemos Rogério Ceni, pelo São Paulo e Wagner Mancini na Chape.

Foto: R7.com
Foto: R7.com

Só que se formos analisar as demissões veremos cunhos distintos. Rogério recém “pendurou as chuteiras” assume um clube de ponta como é o São Paulo sem qualquer experiência na função. Não podemos nos basear em alguns cursos que ele participou ou visitas a outros técnicos, Ceni necessitava de mais “cancha” na casamata. Até começou bem, com uma proposta de jogo interessante. Só que estamos no Brasil, leia-se dirigentes imediatistas e o tricolor foi eliminado de três competições em um mês, a conta iria chegar como sempre, para o treineiro. Só que a diretoria são paulina sabia que por mais respaldo que a torcida desse, os resultados negativos iriam atrapalhar a tranquilidade e continuidade, principalmente para um clube que está comprando e vendendo atletas desde que a temporada começou. Aí é que Ceni deveria ter sido bancado e receber o respaldo do corpo diretivo. Bem agora inúmeras teorias sobre sua contratação são ventiladas, inclusive de que foi utilizado como escudo do atual presidente na última eleição. O fato que nenhuma das partes analisou o histórico de trabalhos interrompidos há anos no Morumbi, e um corpo diretivo que não  encontra-se desde o saudoso Marcelo Portugal Gouvêa.

Foto: Vitor Silva/ SSPress
Foto: Vitor Silva/ SSPress

A demissão do Wagner Mancini é uma grande aberração da diretoria da Chapecoense, que aliás, vem se perdendo na temporada. O que eles queriam que o Mancini fizesse??? Ele tava fazendo muito com alguns jogadores de qualidade duvidosa. Ah não podemos esquecer, quem eliminou a Chape da Copa Libertadores foi a bizarra incompetência administrativa. O trabalho caminhava com aquilo que  lhe foi dado,  e mesmo assim foi campeão estadual, fazia uma boa campanha na libertadores com chances claras de classificação, foi desclassificada no apito para o Cruzeiro na Copa do Brasil, oscilava no brasileirão e foi derrotada fora de casa no primeiro jogo contra o Defensa y Justicia, pela Copa Sulamericana. Em suma: tudo dentro do esperado. Aí o time empata com o Fluminense, no Rio e demitem o cara. Os nossos clubes dificilmente mantém uma filosofia de trabalho. Aqui é tudo na base do “vamo, vamo e pega, pega”, poucas equipes de fato analisam seus profissionais. Vamos citar o Santos como exemplo. O Dorival Jr. foi demitido (pra mim também sem razão), mas trouxeram um cara (Levir Culpi), pois ele tem a mesma filosofia que o Santos vem cultivando desde 2002. Tentaram ter um critério para a substituição. Voltando ao São Paulo, analise as mudanças e os perfis dos técnicos que vieram e some-se a isso atletas contratados a esmo. É claro que vai virar bagunça. Precisa-se ter o mínimo de critério e de organização, pois só assim não precisaremos ouvir entrevistas bizarras de dirigentes incapazes.

Tá dito!

DOIS TOQUES

Semanalmente vamos trazer um personagem do meio esportivo e da imprensa para duas questões. A estreia não poderia ser melhor. Milton Neves nos dá a honra de dar o pontapé inicial. Bem vindo, Muzamba!

Grande nome do jornalismo esportivo brasileiro
Foto: Blog do Milton Neves

DOIS TOQUES: Você que pertence a uma geração diferente do jornalismo esportivo, como analisa esse novo momento da profissão e dos profissionais?

MILTON NEVES: Tudo cresceu, melhorou e melhorará mais. O celular e o computador, os jovens todos poliglotas e o amor pelo esporte fizeram hoje um jornalismo esportivo de primeiro mundo.

 

DT – Qual é a dica que você daria para quem um dia desejar ser um MILTON NEVES??

MN: Talento não se adquire! Você nasce sem ou com. Quem tem, a tudo supera e vai lá pra cima. Aliás, em qualquer setor de atividade humana. Quem não tem deve mudar de ramo. O jornalismo é maravilhoso e gratificante, mas não premia o comum e até o médio.

Uma dica: una seu talento com dedicação total. Já trabalhei de domingo pela manhã até o fim da noite de 6ª feira sem voltar para meu porão da Alfredo Elis, ou para os “apezinhos” alugados da Topázio e Paula Ney e para meu primeiro apartamento apertado comprado pelo BNH em 15 anos, era na Capote Valente com Teodoro Sampaio.

 

 

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